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Notícias 06 de Setembro de 2010 
Jornal da Câmara: Brasil tem que exportar mais para não morrer, diz Jardim

Data: 2/2/2010 11:14:18

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Luiz Paulo Pieri (02/02) – Ao analisar os resultados da balança comercial brasileira nos últimos anos, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) destacou, em entrevista ao Jornal da Câmara, que o Brasil sofreu um recuo na industrialização nos últimos anos. Em sua opinião, o País deve "exportar mais para não morrer" e melhorar a qualidade dos investimentos públicos, para garantir recursos, em longo prazo, para obras estruturais. Arnaldo Jardim também integrou a Comissão Representativa do Congresso Nacional que aprovou, na segunda-feira (25), o aumento do efetivo militar no Haiti de 1.300 para 2.600 integrantes das Forças Armadas.

 

Que conclusão se pode tirar com a queda na balança comercial brasileira nos últimos anos?

 

Arnaldo Jardim – Tem havido um processo acelerado de desindustrialização, que nos faz recuar em direção a meros exportadores de matéria-prima. Basta ver que o resultado positivo da nossa balança comercial vem caindo progressivamente. No ano passado, o superávit foi de apenas 9,9 bilhões de dólares. Em 2008, foi de 47 bilhões de dólares e, em 2007, havia sido de 76,7 bilhões de dólares. Apesar de termos sido um dos países que menos sofreram com a crise, a combinação entre a valorização excessiva do real, os juros altos, a ausência de uma política comercial agressiva e o elevado Custo Brasil serão a herança maldita que o governo Lula deixará para o seu sucessor.

 

O que pode ser feito para reverter este quadro?

 

AJ – Primeiro, é preciso resolver a questão cambial e, para isso, volta à baila a necessidade de conter o ingresso de capital especulativo e restringir as operações financeiras externas, que tanto têm contribuído para a valorização do real. Concomitantemente, é fundamental melhorar a qualidade dos investimentos públicos, ou seja, deixar de inflar o custeio da máquina pública para garantir recursos no longo prazo para obras estruturais. Desta maneira, garantindo um superávit nas contas públicas, será possível adotar uma política monetária mais agressiva, evitando a possibilidade de aumento nas taxas de juros, ainda extremamente elevadas em termos internacionais.

 

Por que o Brasil não consegue impor-se economicamente no cenário mundial?

 

AJ – Porque não promove as reformas que se fazem necessárias em uma economia de mercado globalizada. Não adota uma política cambial com viés exportador, nem uma politica de juros que não penalize o setor produtivo, além de não promover o enxugamento do custeio da máquina pública. O Brasil precisa urgentemenete adotar uma política industrial voltada para a inovação, que seja capaz de atender os mercados interno e externo, sem fomentar surtos inflacionários, e uma política tributária mais justa. Cabe lembrar a célebre frase que volta a ser atual: é exportar ou morrer.

 

Com o senhor avalia a presença militar do Brasil no Haiti?

 

AJ – Foi muito importante o Brasil estar no momento certo, no lugar certo, e a aprovação, pela Comissão Representativa do Congresso, do aumento do nosso efetivo militar no Haiti mostrou o grau de convergência dos partidos. A situação em que se encontra o Haiti não nos permite fazer nenhum tipo de ressalva de natureza político-partidária, mas uma manifestação de solidariedade ao povo hatiano e de afirmação da nossa nação. A postura do Brasil no Haiti diverge da postura do governo Lula na questão de Honduras.

Por isso, tudo o que saudamos do comportamento da nossa diplomacia no Haiti, infelizmente lamentamos pelo que foi feito recentemente em Honduras, com o acolhimento do ex-presidente Zelaya na nossa embaixada, o que feriu tradições históricas do Itamaraty.

arnaldojardim.com.br - 2007