Indústria química é essencial para o crescimento do agronegócio, defende Jardim

Por: Arnaldo Jardim

A proteção do bioma amazônico sempre foi um tema muito relevante para a população local e tem se tornado pauta prioritária para a política nacional e internacional. Esse cenário, quando combinado ao deficit de terras agricultáveis no mundo, aumenta a importância de uma agropecuária mais produtiva, que faça o máximo com o mínimo possível, sendo pequeno ou grande produtor. A indústria química de base é a chave para o crescimento do setor agropecuário e de outras indústrias de transformação.

Insumos químicos impactam diretamente na eficiência da agricultura moderna. Desde o início da revolução verde, na década de 1930, a química tornou-se um dos sustentáculos da agricultura global. O setor fornece diversos insumos tanto para o controle de pragas e doenças, quanto para controlar e promover o crescimento das plantações.

Na pecuária, as contribuições da química são igualmente fundamentais. A produção de vacinas veterinárias e remédios permite a criação de animais saudáveis e de alta qualidade para atender públicos internos e externos. Tudo sempre feito, é claro, com controles sanitários que garantam o uso correto dos produtos.

A importância da indústria química e a sintonia com o agronegócio torna-se ainda mais evidente quando é possível ver empresas desativadas há até uma década voltando a produzir, o que contribui decisivamente para a retomada do crescimento nacional que queremos.

Um exemplo recente, que mostra como a indústria química brasileira aposta e investe no agronegócio, foi a retomada, por iniciativa de empresa do setor, da produção de amônia e ureia, principais fontes de nitrogênio para a agricultura brasileira. Depois de dois anos desativada por iniciativa da Petrobrás, a antiga Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen) foi arrendada por 10 anos e voltou a produzir neste mês de abril.

Há ainda outro exemplo a se destacar. O setor químico desenvolve, dentre seus inúmeros produtos, solventes e surfactantes para formulações do agronegócio. No campo, a aplicação desses produtos aumenta a eficiência, por exemplo, na aplicação de defensivos agrícolas. Profissionais especializados e equipamentos de ponta são necessários ao longo de todo o processo de desenvolvimento de um insumo para a agricultura. É a química e o campo em sincronia, produzindo mais alimentos, utilizando cada vez menos recursos e aumentando a produtividade do agronegócio brasileiro.

Outro tema de crescente notoriedade para empresas e governos é a sustentabilidade. Isso significa que os envolvidos na cadeia de produção, até chegar ao cliente final, ganham ao adotar práticas diversificadas para aumentar a longevidade das terras aráveis sem prejudicar irreversivelmente o meio ambiente.

Atualmente, no entanto, há uma questão que pode colocar em risco o relacionamento entre a química e o agronegócio brasileiro: a extinção do Regime Especial da Indústria Química (Reiq). Este regime é essencial para manter a competitividade do setor no mercado brasileiro.

O fim do Reiq pode impactar de forma muito negativa a posição do Brasil como um dos líderes mundiais na produção de alimentos. Sendo assim, o debate que está ocorrendo sobre este tópico na Câmara dos Deputados deve considerar seriamente a importância da indústria química para o agronegócio brasileiro.

A retomada do crescimento dependerá de investimentos em todos os ramos da economia, e a manutenção do Reiq contribuirá para que o setor mantenha os investimentos necessários para apoiar a agricultura brasileira. Neste momento, precisamos assegurar que a nossa recuperação econômica seja duradoura. A indústria química é fundamental para o agro brasileiro. A indústria química é fundamental para o Brasil.

ARNALDO JARDIM
Deputado, diretor de Logística da Frente Parlamentar da Agropecuária e diretor da Frente Parlamentar de Apoio à Indústria Química

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